Auschvitz
O horror completa 60 anos. É importante lembrá-lo para saber até onde o homem é capaz de chegar. Pessoas que viviam em latrinas, com dietas de 200 calorias / dia, obrigadas a trabalhar pesado por até 20 horas por dia, caminhando sem esperança e sem objetivo. Acreditando apenas que aquilo não podia ser o que chamamos de vida. Milhões foram exterminados em atos de covardia jamais vistos antes. Rogo ao mundo que olhemos para este fato histórico e peço um minuto de silêncio e de reflexão para que o mundo de hoje e o nosso amanhã possam ser melhores.
O Manco
Um passo, uma falha, um passo, uma falha, mais um passo e outra falha. Era muito chato, além de esteticamente desagradavel. No longo prazo apresentaria problemas na bacia - sim, todos possuímos uma bacia em algum lugar entre os quadris e a cintura. Mas, o que fazer, a partir de agora era manco; e antes assim do que sem perna.

Depois de dois meses tomou coragem e saiu. Foi para uma baladinha leve, tomou alguns copos e resolveu dançar! Idéia inusitada para um manco de primeira viagem. Chegou na discoteca, encostou no bar, mais um trago e mirou a primeira garota. Bonitinha, estava sentada com as perninhas cruzadas. A saia preta tipo cintura baixa, a camiseta também preta e meio curta, deixando de fora a barriguinha bem branquinha. Cabelo preto e sorriso largo, apesar do rosto fino. Gostou dela, tomou coragem e saiu mancando até chegar na mesa.

- Dança comigo?
- Não. - disse secamente.

Parecia ser o primeiro fora da noite, mas o "new" manco não se deu por vencido.

- Posso sentar?
- Pode.
- Você não gosta de dançar?
- Na verdade adoro, mas prefiro ficar sentada.

Bateram um bom papo. Lá pela fim da madrugada o manco se levanta e pergunta se pode acompanhá-la para casa. Ela permanece sentada, responde que não e o dispensa com um selinho.

- Sem telefones, sem contatos, a noite foi boa mas acabou. - sacramentou a bonitinha.

O manco entende o recado e dá o fora. Era muito tarde para novas insistências. Depois, assim que ela percebesse que ele era manco, certamente demonstraria compaixão e isso ele não queria. Um bom papo para um primeira noite depois de tanto tempo até que estava bom. Despediu-se e foi embora, atenuando as falhas de seu caminhar errante.

Ela esperou mais quinze minutos, tomou o último gole, pagou a conta e foi embora também. Um passo, uma falha, um passo, uma falha, mais um passo e outra falha. Como era chato ser manca, além de esteticamente desagradavel...
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