O Filho do Diabo - última parte
Era uma mulher pacata e devota. Agradecia diariamente sua criação, pois desde pequena a fé era o que sustentava sua vida e procurava passar isso para seus filhos também. Infelizmente o marido se desviara do caminho e, apesar de suas inúmeras tentativas ela não conseguia trazê-lo á tona. O pastor aconselhara uma sessão de exorcismo, mas nem mesmo às sessões regulares o marido ia ultimamente.

Não sabia quanto tempo iria sustentar a situação. Seus filhos, em breve, começariam a questionar o comportamento do marido e ela não podia permitir isso. As dúvidas e incertezas pairavam sobre sua mente. Foi a igreja e pediu um sinal, algo que indicasse o que fazer. Na mesma tarde, suas preces foram atendidas. Chegou em casa, e foi direto ao seu quarto. Abriu os armários e o sinal estava lá, no bolso do paletó do marido.

No mesmo dia traçou seu plano. Os filhos foram despachados para a casa de sua mãe em Pouso Alegre. Ela permanceu com as luzes apagadas até meia-noite, quando ouviu a maçaneta do quarto ser aberta. O marido entrou lenta e pesadamente. O cheiro de álcool era forte, ele tirou a roupa e foi direto para o chuveiro. Ela, pacientemente, esperou a água parar. Ele ainda estava enrolado na toalha quando o primeiro golpe o atingiu, tentou ver de onde vinha, mas uma segunda estocada alcançara sua perna. Tombou e pensou ver o vulto de sua esposa com um facão de cozinha. Depois do quarto golpe desmaiou e nunca mais acordou.

Precisou de quase uma semana para localizar a vagabunda. Na mesma noite a seguiu e aguardou o acompanhante da vez ir embora do kitnet. Ele saiu, ela aproveitou e entrou. O prédio não tinha vigia, o que facilitou seu trabalho. Tocou a campainha do apto 107. Patrícia abriu a porta com os cabelos molhados pendendo em seus belos ombros. A vagabunda era muito bonita.

Não esperou nem a moça convidá-la a entrar. A primeira facada fez Patrícia cair no meio do hall, depois se seguiram outras que a deixariam irreconhecível. Até a última, que atingiu o ventre onde o filho do Diabo, inocente, repousava sem saber que não teria direito a um destino.


*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Os exames apontavam para uma mulher grávida. Nas partes perfuradas pelo facão dois tipos de sangue se misturavam. Sem dúvida era o do Sr.Alvarez e o de Patrícia. A Sra.Alvarez aparentava tranquilidade e, apenas repetia que cumprira a missão que Deus lhe confiara. O Detetive Pereira desligou o seu computador e foi para casa.
Blitz, documentos
CitiHall, São Paulo, 26/1/2005. Evandro continua em forma, a Blitz arrebentou e a nostalgia carioca rolou solta. Foi realmente uma noite fantástica e em fevereiro tem mais.
O Filho do Diabo
O crime ocorrera na noite anterior. Corpo esquartejado, sangue para todo o lado e poucos indícios do autor. A vítima não tinha mais do que vinte e cinco anos e parecia ter o corpo atlético. De acordo com os legistas, um metro e setenta e pouco mais de sessenta quilos. Sem dúvida deve ter sido uma mulher atraente.

Depois de entrevistar seus pais e amigos mais próximos, chegou a conclusão que a moça optara pelo caminho da dita vida fácil. Na certa o namorado descobriu e por fim, cometeu crime passional. Essa seria uma primeira hipótese viável. O pai não parecia ser do tipo que iria se importar com a opção da filha; na verdade não parecia nem mesmo se importar com sua morte pré-matura.

Conseguiu descobrir para quem ela trabalhava e foi ter com seu chefe. De primeira, o gerente das moças negou seu cargo. Entretanto, um pouco de papo e ele flexibilizou. Disse que não mantinha cadastro de clientes, mas que, por acaso, sabia que ela estava com um senhor que vinha saindo com ela há pelo menos três meses.

Bateu na porta e nada. Tocou a campainha do vizinho, que disse que o Sr.Alvarez não saia de casa desde que a mulher fora embora com as crianças, havia uma semana. Perguntou se ele tinha certeza que o homem não havia saído em nenhum momento, nem a noite. Ele garantiu que não. As casas eram geminadas e ele ouvia tudo.

To be continued.
[ ver mensagens anteriores ]