Perto do Céu
Não gosto de fazer deste espaço um diário, mas admito que em algumas ocasiões, ele me parece muito adequado para que eu relate algumas das minhas experiências pessoais. Aqui em cima, neste avião, eu acabei de ver um filme de adolescentes que me fez lembrar meu irmão: Crica.

Já fazem mais de 12 anos que ele se foi e a sua presença é ainda muito forte. Eu me lembro que o meu maior medo era o esquecimento...das imagens, das nossas aventuras, dos nossos momentos em família, enfim da nossa amizade fraternal. Eu sempre o amei muito e sempre vou amá-lo. Hoje, quando eu viajo, me prendo sempre a um ritual na decolagem e no pouso. Nesses momentos, eu penso no Crica e no meu pai juntos no céu, cuidando para que eu tenha uma viagem tranqüila.

Minhas lembranças vivem um pouco mais nesta hora, e eu percebo que, apesar da não dar para explicar o inexplicável, existe uma razão para tudo na vida. Eu percebo que temos que viver a vida e fazer de nossas lembranças, parte da nossa vida. O que vem depois, não dá para saber, eu só espero que um dia eu possa apresentar ao meu irmão os sobrinhos que ele não pôde conhecer.
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