O que passa na TV?
Não tenho intenção de ser um crítico de tudo e de todos, porém, tenho que registrar o meu espanto com a produção televisiva. A média dos programas produzidos nacionalmente é muito baixa. Será que o Brasil, grande do jeito que é, não consegue prover conteúdo melhor aos produtores e programadores? Não posso crer.
Ontem, conversando com um alto executivo do SBT fiquei encantado com as iniciativas locais de afiliados distantes dos grandes centros. Realmente foi sensacional ver a forma como ele descreveu programas sobre culturas e festas locais, sobre o Brasil que dá certo. Enfim, deixando claro que o que vende é notícia ruim, ele me confidenciou, quase que envergonhado, a quantidade de notícias boas que, na programação nacional não entram em pauta. O executivo, rodado em outras emissoras, falou que isso é prática comum em seus concorrentes também.
Logo, após meu surto momentâneo de felicidade, bateu a tristeza de não ter acesso aberto a este conteúdo e por fim, veio a ansiedade de quem quer conhecer melhor seu próprio país. Espero que essa agenda positiva um dia faça parte da programação que invade a casa dos brasileiros todos os dias. Não que eu queira colocar os problemas debaixo do tapete, mas como sempre digo, o equilíbro é tudo. E se violência gera violência, cultura e idéias boas também podem se multiplicar.
Sem Lembranças
Arrumava, lavava e passava todos os dias. Em casa e fora dela era essa a sua rotina. Apesar disso, conservava o humor e conformava-se com o destino da vida. Assim como o trabalho, o sexo chegou cedo em sua vida. Aos 18 já era mãe de uma menina. Mulata vistosa que era, tinha um marido muito ciumento. Infelizmente, como é comum nestas vilas o homem não a merecia. Saia, bebia e voltava violento. Trabalhar estava ok, mas aguentar o marido não lhe era mais possível. Tentou de forma madura dar os avisos necessários, até que, no que seria seu derradeiro dia na Terra, avisou que ia embora para casa da mãe. O marido só esperou que ela se virasse para disparar dois tiros pelas costas. - Covardia, covarde, covarde! - grita até hoje a mãe dela, que para poder ficar com a neta não pode nem mesmo processá-lo. A "lei" diz que a guarda é do pai assassino e um eventual processo jogaria a menina para os avós paternos. Retratos cruéis e fiéis da nossa sociedade civilizada.