Poucas festas são tão emocionantes como o casamento. Especialmente, quando ambas famílias participam da festa e quando amigos de antigamente se juntam aos atuais para celebrar. Os noivos, nesse caso, se emocionam e passam uma imagem de eternidade de sua relação. Pena que nem sempre é assim...
Na sociedade que vivemos cada vez mais o casamento é descartável. Pior quando o casal engravida e se separa no momento seguinte. Não quero ser conservador e não acho que nada é para sempre, mas creio que o estágio inicial da vida dos filhos requer atenção e dedicação integral dos progenitores. Afinal, não somos uma espécie auto-suficiente desde pequenos. Necessitamos aprender a andar, a comer, a falar e necessitamos, principalmente, ajuda para a nossa formação moral. Os valores repassados na infância são os que permanecem e a forma mais eficiente de passar estes valores é através dos exemplos. E o exemplo do abandono, da discórdia, da falta de flexibilidade e tolerância para com os outros é um péssimo exemplo.
Enfim, se você não é pai ou mãe, pense bem antes de se tornar um, pense se está realmente disposto a se doar, a se sacrificar por alguém que você colocou no mundo.
Sob este título aparece hoje como objeto de reportagem, na Folha de São Paulo, o homem do piano. Sem passado e sem futuro, aparentemente vivendo cada momento como se fosse uma descoberta, sua imagem nos emociona. O olhar na foto me passou um vazio diferente. Um vazio que talvez queira ser preenchido, mas sem pressa. O homem do piano não fala e apesar de intensamente divulgado no mundo inteiro, ninguém apareceu para reclamá-lo. Ao ver um piano, tocou por noventa minutos melodias bonitas e originais. O mistério da hora é de onde veio este homem.
Eu, porém, gostaria de pensar a partir de outro ângulo. Como seria se não soubéssemos que o tempo corre contra e que o nosso encontro final com o destino desconhecido é inevitável? Como seria se tivéssemos que descobrir a cada dia um novo pedaço da longa história e tivéssemos que conectar os pontos mais tarde? Como será saber se expressar apenas pela música? Nós que estamos do lado de fora queremos que o homem do piano encontre logo sua origem, comece a falar, tenha parentes, amigos, mulheres. A pressa está toda do nosso lado, pois ele em seu mundo fechado parece não se abalar e nem pensa em sair correndo em busca de uma razão para estar neste mundo. Por quê temos que racionalizar nossa existência?
Será que não basta o fato de estarmos vivos? Será que pensar que a vida é finita ou é o espaço entre dois vácuos desconhecidos nos torna melhor? Será que seria melhor se fossemos eternos? Penso novamente no homem do piano. Apenas uma foto e uma pequena reportagem me ligam a ele, decidi que não vou nem mesmo procurar na Internet sobre mais notícias ou fatos curiosos sobre ele. O que vi me bastou. - Homem do piano, muito obrigado.
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