Tudo pelo Social

Estou convencido que os dirigentes empresariais, como me alertou recentemente um monge budista que eu conheci há pouco tempo, são os grandes responsáveis por fazer algo acontecer. Cada vez mais creio que o Governo deve concentrar-se em tarefas básicas, como Saúde, Saneamento Básico e Educação de base. Aos empresários e executivos de alto escalão está relacionada a tarefa de desenvolvimento e inclusão social. Não basta visar o lucro, mas é necessário saber distribuir os investimentos adequadamente.

Se antes as empresas viam como públicos principais: Consumidores, Imprensa, Funcionários (Colaboradores para estar na moda) e Acionistas; hoje a Comunidade deve ser incluída como alvo das benesses geradas pelo lucro empresarial. Não estou pregando assistencialismo ou socialismo empresarial. Apenas, creio que olhar para os lados e investir no desenvolvimento de uma comunidade sadia e digna se reverterá em benefício próprio de todos nós. Não podemos continuar fechando os olhos para os problemas sociais enormes que existem em cidades como São Paulo, por exemplo.

A quantidade de gente literalmente fazendo malabarismos para conseguir algum dinheiro na rua, os assaltos na rua, em restaurantes, em prédios e casas, a qualquer hora do dia, os sequestros, enfim vivemos o caos social. Precisamos fazer algo, precisamos nos mexer. Este é mais do que um texto, é uma convocação. Cada um que ler, pense em algo que pode ser feito para melhorar o nosso convívio social, para tornar nossa sociedade mais equalitária, para devolver a dignidade às pessoas que não tem mercado. Não defendo bandido, mas na situação atual necessitamos separar o joio do trigo. Temos muitas pessoas envolvidas por força das circunstâncias. Como será não ter dinheiro para colocar pão na mesa dos seus filhos, não poder agasalhá-los no frio? Pensem nisso. Todos nós já fomos de alguma forma vítimas da violência, e as pessoas que todos os dias são vítimas das diferenças sociais causadas pela concentração de renda na mão de poucos, que querem cada vez mais ter mais e mais?

Há muito tempo venho pensando nisso e hoje consegui por no papel a minha opinião. De minha parte, começo a me mexer investigando como e por onde começar a ajudar. Admito, porém, que a inspiração decisiva veio do Marcos de Moraes, empresário de sucesso que começa a dar cores a um belo projeto, ou melhor como ele me explicou, um processo social que visa retirar os meninos de rua dos sinais e colocá-los na escola e em ONG's onde eles poderão ampliar sua visão de mundo estudando artes, lutas, filosofia ou o que desejarem dentre as várias atividades oferecidas. Em resumo o Marcos está criando um Fundo Social, que começa com investimento do próprio e será aberto a contribuição de toda a sociedade. Em breve a iniciativa será divulgada, mas desde já tiro o chapéu e me coloco a disposição.

Sobre Pais e Filhos
Meu último post sobre família gerou um debate muito interessante. Portanto, creio que vale o retorno ao assunto, ainda que sob outra ótica.

Ainda tenho a convicção que a presença paterna e materna no desenvolvimento das crianças é de fundamental importância. Sempre reforcei que os primeiros anos, especialmente, são os mais importantes, por se tratarem dos anos nos quais forma-se o caráter das crianças. Ontem, porém, vi que temos que ir um pouco além. O belo programa Em Busca do Camisa 10, me emocionou justamente pela relação Pai-Filho, Mãe-Filho que retratou tão bem.

As crianças, de 14 e 15 anos, faziam testes eliminatórios para qualificarem-se como candidatos a jogador de futebol. Entretanto, o mais belo, foi reparar a trajetória de cada um, contada pelos pais e filhos. Os esforços de cada um nos anoas que precederam o tal teste, os esforços de pessoas que vieram de longe por acreditar na vocação e no talento dos filhos, é claro que valeu também ver os pais que se realizavam ali através do sucesso dos filhos, mas foi realmente emocionante ver, quase ao vivo, as reações à aprovação e à reprovação das crianças. O apoio contínuo e incondicional, as formas de abordagem para a manutenção da motivação e para que a auto-estima se mantivesse elevada. Enfim, um exemplo de relacionamento e dedicação.

É claro que existe o outro lado, o lado dos pais que cobram e jogam a responsabilidade do futuro familiar ou suas frustrações passadas pra cima das crianças. Mas esse é o lado do desequílibrio, da desarmonia que certamente se reflete em lares mal planejados, por pessoas egoístas e incapazes de doarem verdadeiramente um pouco de si para seus filhos. É dessas pessoas que eu falava no artigo anterior. Mais importante do que não se separar é não se casar e não ter filhos se não existe vocação paternal ou maternal. E talvez àqueles que se planejam para ser mãe ou pai solteiros demonstrem um certo egoísmo de antemão.

De novo sei que existe polêmica quanto a este assunto e não quero ser o dono da verdade. As palavras acima apenas expressam um sentimento que tenho hoje. Como disse o Gerald Thomas, numa entrevista que vi recentemente, daqui há um ano talvez eu seja outra pessoa.
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