Estranho

O caminho para o quarto era diferente, os degraus pareciam se estender, fazendo a escada mais longa e sinuosa. Novos obstáculos encontravam-se pela frente. Uma portinhola, uma visão diferente a partir de sua nova ante-sala. Enfim tudo havia mudado e apesar de nada ser definitivo, o hábito e a rotina traziam a sensação falsa de perenidade.

Esbarrou em alguém, que não reconheceu de imediato, talvez por estar num novo contexto. Ah, é você? Quem você achou que era? Tô meio perdido. E eu já estou explorando tudo, é muito legal. Eu estou me sentindo sem rumo, será que vou me acostumar?

Os barulhos são diferentes, os caminhos são outros e os hábitos certamente se moldarão a esse novo habitat. O homem é assim, contraditório por definição. Um nômade que precisa de um lar, um peregrino que gosta de ter a sensação de voltar para casa.

Saio de Cabeça Erguida e com as Mãos Limpas

Isso é o mínimo que poderíamos imaginar de qualquer um, seja desempenhando um cargo público ou privado. Mas parece que essa frase virou moda na cúpula petista, que uma a uma vai se retirando ou sendo retirada após a crise. Ora, dizia meu velho pai que a pessoa que muito se auto-elogia, o faz por falta de reconhecimento de terceiros. No caso, portanto, a declaração constitui uma confissão de culpa de abrangência partidária.

Lembro-me da história do Coronel, que se levantava diariamente ás 5 da manhã e cumpria rigorosamente a mesma rotina. Empertigado, com a farda passadíssima, as botas lustradas á refletirem as condições do céu e o marchar autômato de quem servia a pátria há 30 anos. Apesar do estilo e da reputação ilibada, nosso querido Coronel era famoso por sair todo dia do banheiro exatamente no mesmo horário, um relógio o nosso herói. Saia sempre de cabeça erguida e com as mãos limpas. Ao fundo ainda podíamos ouvir o som da descarga...chwavsvchwavsvchwavsvgrgrgragragraundlgddlgdddd.

Il Dolce Far Niente

Primeiro dia de férias e cá me encontro de frente para o computador. Apesar dessa aparente obsessão, estou aqui apenas para registrar o ínicio do período de descanso e de tranquilidade. Me armei de livros, dvd's e pijamas e pretendo passar um tempo recluso em meu pouco frequentado habitat natural, que é a minha casa. Noutros tempos, estaria louco por viagens e programações extenuantes. O fato, contudo, é que este ano já viajei demais e só o que eu quero é o sossego e o conforto do meu lar.

É bem verdade que acordei não com o barulho dos passáros, que sempre vem aos domingos - acreditem. Mas com o nada agradável ruçar das betoneiras de um prédio que cresce sem parar do lado do meu. O trânsito caótico, com as freadas dos onibus e o barulho das buzinas também me alcançam nesta manhã. Pensando bem, amanhã vou procurar um hotel em alguma parte da cidade que não esteja em obras. Esse deve ser um desafio interessante para quem planeja passar férias em São Paulo.

O que me consola é que de noite a obra pára e o trânsito diminui. Quem sabe então, posso voltar ao meu plano original e relaxar em meu habitat natural ?!?

 

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