Sobre Funcionários Mau-Humorados
Esta semana voltando de viagem, me dirigi até os caixas do estacionamento do Aeroporto de Congonhas. Qual não foi minha surpresa ao constatar que as mau-humoradas atendentes estavam do lado de fora dos guichês, perfiladas ao lado de máquinas de auto atendimento, que conforme relato das próprias: - Dá troco para notas de 100 reais, não pergunta se você tem 1 real trocado e ainda emite recibo. Além disso, é claro, existirão várias máquinas, impedindo assim a formação de filas.

Quando, após pagar o estacionamento, peguei meu carro e fui para casa fiquei pensando no triste destino dos ascensoristas, que talvez por não serem tão organizados quanto os frentistas tiveram seu cargo eliminado do mapa. Eu que fui caixa de Banco, também não posso deixar de pensar que nas agências cheias de gente tinham vagas para muitos funcionários. Hoje os Bancos são cidades fantasmas cheias de máquinas, que mantém o cliente no hall de entrada.

Não, nada contra a automação, a tecnologia, o progresso. Afinal sem ele eu, pobre desconhecido, não poderia ter meu blog lido por vocês, só para dar um exemplo. Mas o fato que me faz pensar e deixar a polêmica no ar é se num país como o nosso, onde o sub-emprego existe porque o contingente de pessoas sem formação é gigante; onde R$500,00 por mês é a fortuna, o bilhete de loteria de muitas famílias, onde o coronelismo ainda impera, onde a educação média ainda é abaixo da média. Será que num país como esse dá para abrir mão destes postos de trabalho? Trabalho é dignidade, não importa qual seja o trabalho. Sim, as atendentes de caixa do Aeroporto são extremamente mau-humoradas. Mas na minha querida Itália, o mau humor dos Ascolanos é tratado como fato pitoresco. Enfim, me pergunto, será que o Brasil pode abrir mão de emprego? Será que pode-se dar ao luxo de ter robôs como no Japão? Será que pode transferir o trabalho para máquinas e softwares produzidos fora e por menos pessoas?

A Vez dos sem Cartão
Na sociedade atual, principalmente em Sampa, há uma tendência de se valorizar as pessoas pelos cargos que ocupam, pela posição na sociedade, pelo grau de exposição pública, enfim por status. Outro dia, porém, minha esposa me chamou a atenção para o poder que algumas pessoas, que não tem cargos importantes nem rostos conhecidos passaram a ter.

Antes de explicar, eu pergunto: Se você tiver um problema com a Companhia Telefônica hoje, quem é a pessoa que te ajudaria mais rápido, se você a conhecesse?

a) O Presidente
b) Um Vice Presidente qualquer
c) Um Diretor
d) Um Gerente Executivo
e) Nenhuma das Respostas Acima



Eu tenho a nítida sensação que a resposta correta é a letra E. Hoje o pessoal do telemarketing, certamente, seria o menor caminho entre a solução e você. Na verdade eles hoje são as pessoas de contato e decisão de encaminhamento dos problemas. E se eles sabem exatamente quem é você, você não faz idéia de quem está falando do outro lado. Mais do que isso, você provavelmente será atendido por pessoas diferentes a cada chamado que fizer.

A pergunta é o quanto estas pessoas estão preparadas para a carga de stress da função? Como são treinados estes funcionários que sabem quanto você tem no Banco, qual é a sua despesa mensal no cartão ou tem acesso a informações privadas como, por exemplo, se você assina o canal a la carte erótico de sua operadora de cabo? Qual o real sigilo dessas informações? Como confiar nas pessoas que não tem cara e não tem sobrenome?

Acho que as empresas ainda precisam evoluir muito para deixar os clientes confortáveis com esse tipo de interface. Se isso não ocorrer a migração para processos automatizados como a Internet se acelerá.Isso aliás será tema do próximo Blog.
Coincidências Literárias
Ia e vinha todo dia pelo mesmo trajeto. O trecho mais longo era o de metrô, que pegava todo dia da estação Jabaquara até o Paraíso para completar a viagem a pé até a esquina da Paulista com a Brigadeiro. Entretanto, desde que se cadastrara no programa Embarque na Leitura não viajava mais sozinha. Agora, estava sempre as voltas com um conto, um romance, uma história diferente e sedutora que a deixavam com a impressão que sua viagem sempre durava pouco.

Um dia sentiu um suspiro bem na nuca. Após a primeira sensação de susto, virou-se para dar aquela olhada "não faça mais isso". O sujeito, meio constrangido, falou que sempre ficava assim ao lembrar da história que ela estava lendo. Começaram ali um bom papo, que terminou sem maiores compromissos.

Na semana seguinte se encontraram de novo. Ela estava com um livro novo de poesias; o autor era o mesmo. Ele reparou e perguntou se ela já havia lido outros livros daquele autor. Diante da resposta positiva, ele se empolgou e a convidou para um choppinho no fim da tarde. Ali, perto da estação, assim voltariam juntos para casa e poderiam passar na biblioteca do Metrô Paraíso.

A tarde caiu e ele já estava desistindo dela, quando a viu chegar apressada. Desculpou-se pelo atraso e se sentou. A conversa foi informal, até que começaram a falar de literatura e poesia. O sonho dela era ser escritora e já havia até rascunhado umas histórias. Lá pelas tantas, após falarem das agruras de ser um erudito no Brasil, ela perguntou o que ele fazia para viver. Como acontece nos filmes, a música subiu, close no rosto dele, alternando com o dela e ele lhe disse que era o autor dos livros que ela tanto gostava.

Escrevi inspirado numa matéria que li hoje na Folha sobre o projeto Embarcando na Leitura, iniciativa do Metrô de São Paulo e do IBL - Instituto Brasil Leitor, com o patrocínio da USIMINAS e da COSIPA. Fiquei encantado com a idéia. Estimular a leitura é um excelente modo de tornar o Brasil um País melhor.
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